DE 1977 a 1984, o Cardeal dom Paulo Evaristo Arns e o repórter Ricardo Carvalho foram descobrindo fatos que viraram reportagens. Reportagens que se transformaram em marcos de resistência durante a ditadura militar. Neste livro, Ricardo narra os bastidores destas reportagens. As emoções, ameaças, medos e esta incrível sensação de se sentir protagonista involuntário de tanta coisa importante.

É muito material, documentos, entrevistas e reportagens que quero disponibilizar no site. Estou organizando tudo para uma navegação absolutamente amigável. Agora, se você souber alguma história que dom Paulo tenha participado, por favor, pode contá-la no email ricardo@ocardealeoreporter.com.br, que em breve será transferida para o site.
Obrigado,
Ricardo


Muitos e incríveis “furos de reportagem” foram dados pelo repórter Ricardo Carvalho para a Folha de S.Paulo – e depois para outros órgãos da mídia – nos anos 70, quando a violação dos direitos humanos era prática corriqueira no Brasil e em muitos países da América Latina. O segredo dessas coberturas jornalísticas espetaculares, que marcaram época e fazem História, estava no fato de que o repórter tinha um informante, uma fonte secreta altamente autorizada. Exatamente como acontecera poucos anos antes com os repórteres de The Washington Post Carl Bernstein e Bob Woodward no affair Watergate, Ricardo Carvalho também tinha seu “Deep Throat“. Ninguém menos do que o então cardeal-arcebispo de São Paulo, dom Paulo Evaristo Arns. Nestas páginas vibrantes, escritas com bom -humor e emoção, o repórter conta agora, trinta anos passados, os bastidores e os detalhes, até então protegidos por um cuidadoso véu de discrição, de episódios como a bem -sucedida campanha pela libertação de um preso político, Aparecido Galdino, mantido atrás das grades, sem julgamento, no Manicômio Judiciário. Ou a assustadora história da identificação das primeiras crianças, filhas de presos políticos, sequestradas pelas forças da repressão no Cone Sul. Ou ainda a surpreendente cobertura jornalística da histórica reunião dos bispos latino-americanos em Puebla, no México, em 1979, da qual participou João Paulo II, no início de seu papado. O livro traz ainda a participação de muitas personalidades que de alguma forma se envolveram nas reportagens de Ricardo Carvalho. Escrita com paixão, esta obra é uma aula de História e de Jornalismo.
Março de 2010

(...) O autor logrou desafiar riscos e dificuldades, como ameaças e censuras, criando uma rede que lhe permitiu trazer à tona o que o regime militar insistia em manter oculto.
(...) Ricardo foi o primeiro repórter a publicar, na imprensa, na própria Folha, em 31 março de 1978, uma lista de 23 desaparecidos brasileiros (...) que dom Paulo enviara em correspondência secreta ao presidente dos Estados Unidos, Jimmy Carter.
(...)Ricardão foi dessa geração de jornalistas: primeiro lugar a notícia; depois o coração. Ótimo se coincidissem; mas senão, não tinha mão invisível acrescentando “coisas.
(...) Ao mesmo tempo, tenho certeza que a reportagem vai sempre existir e que tem muita gente boa por aí seguindo os caminhos do Ricardinho (Kotscho) e do Ricardão (Carvalho).
(...) O consolo era a convivência com um grande jornalista (Cláudio Abramo) e o trabalhar no dia-a-dia com repórteres e redatores apaixonados, que se empenhavam generosamente no combate pela liberdade. Entre eles, o corajoso Ricardo Carvalho, autor deste livro, protagonista ele também de episódios importantes na resistência à ditadura.
(...) A ordem era avançar sempre um pouco, ganhar as migalhas de liberdade que apareciam. Foi uma luta dura, que se travava em várias frentes, com repórteres como o Ricardão, passando pelo editores e chegando lá na Alice-Maria e Armando Nogueira, que sofriam no final do corredor polonês.
